O silicone é um dos materiais mais importantes para o desempenho de uma esquadria ou de um sistema de envidraçamento. Ele pode contribuir para a estanqueidade, a absorção de pequenas movimentações, a proteção contra infiltrações e o acabamento visual. Entretanto, nem todo silicone possui a mesma composição, aderência, elasticidade ou resistência às intempéries.
Entre os produtos mais utilizados estão os silicones de cura acética, de cura neutra e os silicones estruturais. O silicone acético costuma apresentar boa aderência em materiais vítreos e é comum em aplicações internas e em determinadas vedações. Como libera ácido acético durante a cura, porém, não é indicado indistintamente para metais sensíveis, superfícies porosas, alguns revestimentos ou situações em que o fabricante exija cura neutra.
O silicone de cura neutra é mais versátil para aplicações envolvendo alumínio, aço, pintura, pedra, concreto e outros substratos. É normalmente preferido quando existe risco de corrosão, alteração estética ou incompatibilidade química. Ainda assim, a escolha deve considerar a ficha técnica: “cura neutra” não significa automaticamente que o produto seja adequado para contato com qualquer material.
Já o silicone estrutural é formulado para transferir esforços entre o vidro e um perfil ou componente de suporte, quando utilizado dentro de um sistema projetado para essa finalidade. Ele não deve ser confundido com um selante comum. Uma aplicação estrutural exige cálculo, preparação correta das superfícies, controle da geometria da junta, primer quando especificado, tempo de cura e verificação de compatibilidade entre vidro, silicone, espaçadores, borrachas e acabamentos.
Também existem silicones de alta resistência a raios ultravioleta, selantes híbridos e produtos específicos para fachadas, juntas de dilatação e áreas sujeitas à umidade. Em qualquer caso, a superfície precisa estar limpa, seca, livre de pó, óleo, gordura e resíduos de produtos de limpeza. A largura e a profundidade da junta devem permitir que o selante trabalhe sem aderência indevida em três faces.
A escolha correta não deve ser feita apenas pela cor ou pelo preço. É necessário verificar aderência, elasticidade, módulo, resistência ao envelhecimento, compatibilidade química, tempo de cura, temperatura de aplicação e indicação para uso externo. O uso de um produto inadequado pode provocar descolamento, manchas, fissuras, infiltrações e perda de desempenho.
Sobre o autor: Rodrigo Belarmino Souza é arquiteto e administrador, com MBA pela FIA-USP e mais de 10 especializações em engenharia e gestão. Fundou a SOLID em 2006, empresa que opera com 104 colaboradores, 3.000m² de fábrica própria e mais de 3 milhões de metros de sistemas instalados. Foi coordenador da ABNT NBR 16259, redigindo vários capítulos da norma que regula o envidraçamento de sacadas no Brasil. É ganhador do Prêmio Internacional Leading Experts in Balcony Glazing Solutions Brazil e membro do C12, grupo de CEOs cristãos que integram fé e negócios.